Primeira - A da esquerda. Ampla. Que revela outras tantas no
topo dos telhados do nosso bairro. Janelas de sótãos e águas-furtadas que me
levam a imaginar pequenos espaços de conforto, espaços de guardar memórias,
espaços abandonados à espera da descoberta. Espaços onde por vezes entra mais
um caixote, espaços de trabalho ou onde brincar é o lema. Janela que se abre ou
fecha, deixa entrar ou filtra a luz intensa do sol. A Janela onde pousam os
pássaros e me olham com curiosidade; “ - estranho Ser aqui sentado…”.
Segunda - A da frente. Uma Janela, duas, vinte, tantas…. Janelas
múltiplas de acesso ao mundo inteiro. Afinal onde é o mundo? À esquerda ou em
frente? Esta(s) abre(m)-se num clique para onde eu quiser… para as letras de
textos, imagens de tudo, sons e música. Abrem-se para muitos rostos, por vezes
menos sorridentes que o habitual ou abrem-se para um rosto apenas. A Janela que
mais paisagens tem, é esta, a da frente. Onde nos encontramos hoje? Na janela
da frente… numa das mil janelas da frente… qual preferes? Essa não que não é
segura. A Janela que permite que tudo aconteça sem vento, sem sol, sem calor ou
cheiro… Porém, a janela que permite que tudo se mantenha a funcionar, que
permite a certeza de continuarmos a existir para o mundo e a trazer o mundo até
nós. A Janela que, na distância, aproxima e aproximando mantém a distância.
Essa janela que absorve e se torna indispensável.
Terceira - A da direita. Que não existe na verdade mas que
dá acesso à maior e mais importante janela. A de dentro. Essa janela que se mantém serena, à espera do seu tempo e que, resiliente, aguarda que a da frente se
feche de vez. Vou sentindo a pressão dessa janela que se inquieta com o tempo
que a da frente ocupa, porque, nas suas múltiplas facetas parece não ser a
mesma e vai enganando todos. Não quero que esta janela se feche mas a da esquerda
distraí e a da frente exige tanto…
E assim, num momento em que as palavras se tornam companhia,
as três janelas coexistem.
Quantas janelas cabem num momento?